Sentimento de abandono ainda predomina

Apesar de viver momentos de indefinição, especialmente quanto à retomada de sua autonomia política, Pinto Bandeira recebeu esta semana uma assembleia do Orçamento Participativo de Bento Gonçalves. Na reunião, bastante tranquila, a comunidade apenas se manifestou para elencar prioridades de investimento. Entretanto, após o término do encontro, os moradores revelaram seu descontentamento. A principal queixa é o sentimento de abandono, que ainda predomina. 

A declaração dos moradores confronta o que disse a coordenadora do Orçamento Participativo, Alzira Sanches Rossini, no decorrer da assembleia. “Muitos dizem que Pinto Bandeira foi esquecido, mas isso não é verdade. Só a implantação do programa de Estratégia de Saúde da Família (ESF) já faz da comunidade uma privilegiada”, aponta. “Na área urbana de Bento Gonçalves, bairros com o dobro da população de Pinto Bandeira ainda não contam com a cobertura deste serviço. É motivo de comemoração”, defende.

Com a notícia de que a emancipação do distrito voltaria a ser realidade, em 2010, a prefeitura de Bento Gonçalves cortou maiores investimentos em Pinto Bandeira, mas manteve em funcionamento serviços básicos como saúde e educação. Na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para 2011, por exemplo, não há um centavo destinado à localidade. A medida não agradou agricultor Odacir de Toni, que nasceu no então distrito e até hoje mora no local, 40 anos depois. “Apenas manter o básico funcionando não é suficiente para nós, pelo que representamos para Bento Gonçalves”, avalia ele, que foi um dos delegados escolhidos para representar a comunidade. “É difícil de compreender o que acontece. Bento não quer perder Pinto Bandeira, mas também não quer fazer nada pela gente”, protesta.

Abertamente, nenhum dos mais de 100 moradores participantes contestou a declaração da coordenadora. Porém, à reportagem, manifestaram claramente suas posições. “Pinto Bandeira era melhor cuidada quando ainda éramos distrito de Bento Gonçalves, antes de haver todo esse impasse em relação à emancipação”, comenta a agricultora Adriana Ferro de Toni, que há 16 anos reside na localidade. “O que mais sentimos falta é em relação às melhorias nas estradas”, acrescenta.

Moradores querem asfalto

Das três demandas elencadas como prioritárias pela comunidade no OP, duas dizem respeito a obras de asfaltamento. A mais votada foi o alargamento da estrada e pavimentação de Pinto Bandeira até a Linha Brasil. A terceira prioridade também era uma solicitação de asfalto, desta vez para a Linha Anunciata. “Nossas estradas estão péssimas”, alfinetou a agricultora Marilda Araldi, de 43 anos, que nasceu na Linha Brasil, onde reside até hoje. “Pinto Bandeira tem que ser município e acabou. Também devemos ter os nossos direitos”, finaliza.

Prefeitura tenta manter distrito

A reunião do Orçamento Participativo em Pinto Bandeira, conforme antecipou Lunelli ao SerraNossa em abril, serviria como norteadora de ações para 2012, caso a emancipação não se concretize. De acordo com o prefeito, o município está correndo atrás de recursos judiciais para manutenção do distrito. “Temos 100% de interesse que Pinto Bandeira continue sendo do nosso território”, esclarece. Apesar disso, ele diz que o município deve acatar as decisões da justiça, mesmo que contrárias ao interesse maior do Executivo.

 

Carina Furlanetto

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