Tamanduá-mirim é visto no campus da UCS de Bento

A equipe de vigilância da UCS Bento teve uma surpresa na madrugada desta sexta-feira, 27/08. Um tamanduá da espécie tetradactyla, mais conhecido como Tamanduá-mirim, circulou pelas áreas do campus e proporcionou diversos registros fotográficos. De acordo com a UCS, outras espécies curiosas já foram vistas no local, como esquilos e tucanos. 


Foto: Divulgação/UCS
 

Conforme o biólogo Willian Lando, os tamanduás têm amplo potencial de distribuição na Mata Atlântica e possuem o hábito de forrageio, a fim de encontrar suas presas. Essas características, de acordo com o biólogo, podem ter sido as causas do deslocamento do animal na área urbana de Bento, assim como seu aparecimento no início desta semana na área urbana de Capão da Canoa. “Nessa ocasião, foi necessário o acionamento da Patran para remover o animal com segurança para uma área de mata, tendo em vista que ele estava realmente na área central da cidade”, relata o biólogo.

Além disso, Lando ressalta que o campus Bento da UCS possuí uma boa área de preservação, que se conecta com outras áreas até o Rio das Antas. “Eles se deslocam por meio dos corredores ecológicos, atrás de alimento”, comenta o biólogo.

Mas outro motivo também pode estar por trás do aparecimento do animal na área urbana: a devastação de seus habitats naturais. “Ele pode ter aparecido por aqui por conta da fragmentação de algum espaço de vegetação, o que o impossibilitou a voltar para a região de mata”, complementa. 
 

A bióloga Bárbara Zanatta complementa dizendo que as áreas de mata estão sofrendo com a crescente urbanização e "também com as áreas de usos agrícolas". "Esse habitat reduzido e sem conexões entre as matas, que são os corredores ecológicos, torna mais comum a visão de animais selvagens em meio urbano", continua. 

Por conta dessa possibilidade, o biólogo ressalta a importância da manutenção de áreas de preservação, como aquela doada pela Lex Empreendimentos Imobiliários Ltda à Associação Ativista Ecológica de Bento (AAECO) em junho. “Essa área vai nos ajudar a ter noção dos animais que podem aparecer, auxiliando a preservar os locais de mata para que eles fiquem menos expostos”, comenta Lando, que é presidente da AAECO.

Segundo o biólogo, os tamanduás-mirins têm grande relevância na cadeia ambiental, auxiliando no controle populacional de insetos diversos. 

Caso esses animais sejam encontrados na área urbana, Lando aconselha a não realizar aproximação e deixar que o bicho siga seu caminho. “Caso eles estejam visivelmente perdidos em meio ao centro urbano, o ideal é contatar órgãos especializados, como a Patram, para realizar a remoção, de modo que ele volte a uma região segura de mata”, ensina.

Zanatta também destaca a importância da denúncia de caçadores. "A caça a animais da fauna é crime", reforça.

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