Técnico alerta sobre riscos de acidentes ao mexer na rede elétrica pública e a falta de EPIs

O profissional comenta sua rotina que, diariamente, lida com altas tensões e o acidente com um colega de profissão, no início de julho, que foi eletrocutado enquanto trabalhava em um poste na avenida Osvaldo Aranha

Imagem ilustrativa. Fotos: Eduarda Bucco

No dia 6 de julho, um homem de 28 anos ficou ferido após ser eletrocutado na avenida Osvaldo Aranha enquanto trabalhava para uma operadora de telefonia em um dos postes. O homem foi atendido pelo Corpo de Bombeiros e levado para o Hospital Tacchini em estado grave. Segundo assessoria do hospital, o jovem tem evoluído bem e, no momento, aguarda um leito de internação no hospital da Unimed, em Porto Alegre.

O caso do jovem foi assunto na cidade e levou a questionamentos e hipóteses sobre as prováveis causas do acidente, que incluem desde o uso inadequado de equipamentos de segurança necessários, possíveis falhas de fiscalização por parte da concessionária de energia, por parte das empresas de telefonia e de internet que constantemente adicionam mais e mais redes aos postes, ou do próprio Poder Público, que realiza manutenções no parque luminotécnico da cidade.

O SERRANOSSA conversou com funcionário que trabalha em uma empresa como técnico de telecomunicações. A rotina do rapaz envolve trabalhos em postes de luz até torres com transmissão via rádio, além de diversos lugares, como dentro de igrejas, em áreas rurais ou regiões que não possuem cabeamento de fibra óptica. O trabalho dele também envolve a montagem de servidores e a montagem de fibra óptica nos postes. Segundo o técnico, que tem mais de cinco anos de experiência, a profissão expõe os trabalhadores a vários tipos de perigos diariamente. “Riscos de choque elétrico, riscos de quedas em alturas, dependendo o lugar, em torno de 30 metros, e risco de corte com objetos perfurantes, entre outros”, diz.

Segurança

Mesmo sendo uma profissão que demanda cuidados e equipamentos adequados, nem sempre eles são tomados – e a culpa muitas vezes não é dos colaboradores. “Na maioria das empresas não são fornecidos todos os equipamentos. Apenas alguns dos básicos e obrigatórios”, afirma. Para ele, muitas empresas desistem do uso dos equipamentos, pois o processo de compra e entrega para os funcionários é maior do que o prazo para finalização da obra/manutenção. Contudo, o profissional destaca que muitas vezes nem sequer há uma justificativa para a falta dos itens de segurança. “Algumas empresas não fornecem porque não querem mesmo. Às vezes nós pedimos e não nos são fornecidos os equipamentos. Trabalhamos com o que temos”, pontua.

Fiscalização

O secretário de Governo e de Mobilidade Urbana de Bento Gonçalves, Henrique Nuncio, explica que a administração tem feito seu trabalho, mas divide as funções. “Os postes são de responsabilidade da RGE. Nós [Executivo], assim como as empresas de telefonia e internet, possuímos a mesma responsabilidade para a execução dos serviços. Ocorre que são muitas empresas realizando intervenções nos postes, o que é possível verificar pela quantidade de cabos que os postes possuem, e nem todas as empresas possuem autorização com projeto aprovado pela RGE”, pontua Nuncio.

Para o jovem técnico, ninguém tem cumprido seu papel em relação às fiscalizações e cuidados para que ninguém se machuque durante uma manutenção. “Na maior parte dos postes da cidade as luminárias estão com fios da fotocélula e dos reatores expostos com emendas não isoladas energizando as cordoalhas e a própria luminária”, explica. Ele também afirma que a Prefeitura não faz as devidas manutenções em bairros mais afastados do centro ou em avenidas de grande tráfego, como São Roque e a própria Osvaldo Aranha, onde o colega de profissão se acidentou.

“Outro problema muito encontrado é a falta de responsabilidade de outras empresas do nosso ramo, que vão colocando cabos e mais cabos superlotando os postes e, assim, danificando postes que estão adequados e deixando muitos cabos expostos desnecessários sem retirar quando são rompidos. Esses cabos acabam podendo ser energizados pela baixa tensão”, diz o jovem indignado com a situação que mais do que dobra as chances de acidentes. Por fim, ele pede mais cuidado e consideração por parte do Poder Público, principalmente no cuidado das luminárias, reforçando que a fiscalização correta seja feita, sendo assim, outros acidentes poderão ser evitados. “Também é necessário fiscalizar as empresas de telecomunicações e de telefonia para que adequem os cabos e para que elas forneçam os itens de segurança dos funcionários. Assim, tornando o trabalho que por si só já é perigoso, mais seguro para ser feito”, conclui.

*Colaboração de Eduarda Bucco

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