“Temos controle de casos, mas precisamos manter a atenção”, diz infectologista sobre a pandemia

Médica Isabele Berti reforça que é preciso seguir com vacinação e cuidados básicos para proteger grupos mais vulneráveis e evitar o surgimento de novas cepas mais severas do Coronavírus

Foto: Unsplash

Apesar de o fim da emergência pública pela COVID-19 trazer uma sensação de alívio à população, por indicar uma situação mais tranquila, o próprio Ministério da Saúde ressalta que a pandemia não acabou. A decisão apenas marca o fim de algumas medidas impostas ainda em 2020, mas o fim da pandemia em si é de responsabilidade da Organização Mundial da Saúde (OMS).

A infectologista de Bento Gonçalves Isabele Berti reforça a importância da manutenção de alguns cuidados. “Quando a gente fala no fim da emergência, a gente entende que temos um controle maior de casos”, analisa. “Temos uma parcela grande da população vacinada, mas temos uma parcela frágil que são as crianças sem esquema vacinal completo. Então precisamos manter a atenção”, complementa a médica.

Isabele lembra que o inverno está se aproximando e que a mudança de temperatura e a permanência das pessoas em locais fechados, de maior aglomeração, ampliam os riscos de infecções respiratórias. “Isso pode, sim, nos trazer um novo aumento de casos de COVID, assim como já percebemos que têm aumentado os casos de influenza e vírus sincicial respiratório”, alerta.

A infectologista ainda comenta que pode haver, inclusive, o surgimento de novas cepas do Coronavírus – principalmente nos locais em que a cobertura vacinal é menor. “Isso faz com que o vírus cresça de uma maneira mais desordenada, existindo uma possibilidade maior de mutação. Quanto maior a quantidade de vírus circulando, maior a possibilidade de mutação e de surgimento de uma cepa mais severa”, explica.

Por isso, a médica afirma que a vacinação continuará sendo a protagonista, aliada ao isolamento dos pacientes sintomáticos. “A vacinação faz com que a carga de vírus que a pessoa vacinada tem seja menor. Vacinada eu me protejo e protejo as pessoas ao meu redor”, afirma. “Além disso, é preciso ter a consciência de que, se estiver gripado, é preciso ficar em casa para preservar a sua saúde e a saúde dos outros também”, complementa.

Conforme Isabele, o perfil dos pacientes que têm agravado com a pandemia é de pessoas não vacinadas, com alguma condição de saúde mais grave, com alguma doença crônica não controlada ou que façam uso de medicamentos imunossupressores. “Mas fundamentalmente são os não vacinados que estão agravando”, reforça.

A partir do avanço da vacinação e dos cuidados pessoais, a tendência, na visão da doutora, é que a COVID-19 passe a ser uma doença sazonal, “assim como a influenza, que temos pequenos surtos em momentos e locais específicos. Mas que se agente se mantiver vacinado, com esquema atualizado, a doença seja menos grave e passe a ser tratada como uma endemia”, prevê.

Bento faz readequação nos fluxos de atendimentos

Retirada da barraca na UPA 24h marcou fim da emergência pública. Foto: Divulgação

No dia 22/04 o Ministério da Saúde assinou uma portaria encerrando a situação de emergência de saúde pública de interesse social da pandemia da COVID-19. A medida que reconhecia a gravidade da pandemia e dava base para ações emergenciais nos âmbitos federal, estadual e municipal estava em vigor desde fevereiro de 2020. Os estados e municípios têm até o dia 22 de maio para se adequar a essa portaria, o que já vem sendo feito pela prefeitura de Bento Gonçalves.

Na semana passada, foi concretizada a remoção da estrutura do ambulatório fast-track, junto à UPA 24h do bairro Botafogo. A estratégia integrou as ações de combate ao Coronavírus, a fim de dar prioridade aos pacientes com sintomas gripais. Nesse período, conforme dados da secretaria de Saúde, foram realizados cerca de 130 mil atendimentos no ambulatório instalado.

Com isso, desde a segunda-feira, 02/05, os atendimentos na UPA retornaram ao fluxo normal. “É importante que as pessoas entendam que estamos realizando apenas a desmobilização da estrutura, mas seguiremos vigilantes e com os cuidados contra a COVID-19. O uso de máscara nos espaços de saúde segue obrigatório, com todos os cuidados necessários”, destaca a secretária Tatiane Misturini Fiorio.

A partir de agora, todas as unidades de saúde farão a testagem dos pacientes com sintomas respiratórios e encaminhamento para o isolamento. Pessoas com sintomas leves podem procurar as unidades básicas de saúde. Já aquelas com sintomas mais graves devem procurar a UPA 24h do Botafogo ou o Pronto Atendimento 24h do bairro São Roque.

O município ainda aguarda o posicionamento do governo do Estado sobre ações e programas como o Testar RS, que auxiliou na ampliação da testagem dos gaúchos com exames RT-PCR (exames considerados mais eficazes).
Outra mudança em Bento diz respeito à divulgação do boletim de casos da COVID-19. Desde o início da pandemia, a prefeitura enviava diariamente aos veículos de comunicação o número de novos casos, óbitos e de pacientes recuperados. As informações também eram divulgadas nas redes sociais da prefeitura. O SERRANOSSA reproduzia os dados recebidos em um boletim próprio, que também vinha sendo divulgado diariamente pelo Facebook do jornal. Desde o dia 25/04, essa atualização diária deixou de ser divulgada. Agora, quem quiser se informar sobre os dados referentes ao município deve acessar o portal do Estado: https://ti.saude.rs.gov.br/covid19/.

Conforme a prefeitura, o fim da emergência também implica em questões burocráticas e administrativas, tendo em vista os recursos financeiros que eram destinados exclusivamente para a COVID-19, “portarias que serão revogadas, financiamentos de leitos de suporte ventilatório e leitos de UTI COVID”. Essas questões ainda aguardam definição. Durante o anúncio do fim da emergência de saúde pública, entretanto, o Ministério da Saúde garantiu que não haverá descontinuidade na transferência de recursos financeiros aos estados e municípios.

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