Trocando as lentes

Quem conhece a obra do professor Howard Zehr intitulada “Trocando as Lentes: um novo foco sobre Crime e Justiça” certamente foi remetido para ela quando leu esse título. E não digo que, de certa forma, não haja uma relação entre essa pequena reflexão e a obra difundida mundialmente pelo professor de sociologia e precursor da justiça restaurativa no mundo.

Todavia, a minha reflexão é um pouco mais singela. E não pretende, de forma alguma, aprofundar questões para as quais eu nem sequer tenho habilitação técnica, que seriam a Psicologia e a Antropologia. Vou me resumir à minha insignificância e falar das relações humanas. Essas, aliás, têm sido um redivivo em meu cotidiano que, às vezes, eu mesmo tenho dificuldade de acompanhar.

As pessoas entram e saem das nossas vidas de tantas formas, algumas curiosas ou inesperadas, que às vezes ficamos surpreendidos com isso. Porém, as coisas são como elas são e só acontecem como têm que acontecer. E quando têm que acontecer. E duram somente o tempo que têm que durar. E são assim! E está tudo bem…

Pois bem, uma dessas pessoas, conhecidas de uma maneira inesperada, me trouxe uma das maiores lições que essa vida poderia me trazer. Com redução da capacidade visual desde a tenra infância, fazendo toda a sorte de tratamentos possível para tal, desde aquela época descobriu-se com 80% – isso mesmo, 80% – de sua visão comprometida.
O que para alguns poderia ser algo trágico, servindo de desculpa para uma vida sem graça e cheia de limitações, foi a mola propulsora, a faísca para a chama de alguém com muita força e muito para ensinar.

Ana Paula é o nome dela. Ela se formou em arquitetura, morou na Austrália, buscou seu lugar ao sol.

Quando já achava que não mais tinha para onde correr, quando a tristeza bateu, sentindo-se incapaz de fazer trabalhos simples como ser “house cleaner” ou “waitress”, recebeu a luz divina que lhe fez enxergar que, desde a sua infância, desde antes de 11 seus anos de idade, a vida havia lhe mostrado o que fazer: inspirar pessoas.

E Ana fez e faz isso muito bem!
Ana trocou as suas lentes. Ana mostrou que não existem situações ruins, nós é que estamos enxergando com as lentes erradas.

Obrigado, Ana! Mil vezes obrigado!

Até a próxima!

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