Uma cidade perigosa para as mulheres

Os casos de violência contra mulheres em Bento Gonçalves têm demonstrado um preocupante crescimento nos primeiros meses deste ano.  Dados da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) apontam que entre janeiro e fevereiro de 2015 – os números de abril ainda não foram divulgados – houve 169 ocorrências de agressão desse tipo, índices que aumentaram mês a mês. Somente nesse período, foram tomadas 71 medidas protetivas.

No ano passado, a Delegacia da Mulher alcançou a marca de 855 registros, que resultaram em 500 medidas protetivas. De acordo com a delegada titular da Deam, Deise Salton Brancher Ruschel, os principais casos são os de violência familiar, que envolvem ameaça ou lesão corporal. Mesmo assim, as estatísticas são ainda mais alarmantes, pois muitas situações são registradas em outros órgãos, principalmente na Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento (DPPA).

Por outro lado, também ainda há a grande preocupação pelos abusos que nunca chegam ao conhecimento das autoridades. “O que mais preocupa são aquelas agressões que não são registradas. Muitos fatos acontecem e as pessoas, por algum motivo, principalmente o medo, não vêm para o registro”, aponta.

O preconceito e a vergonha também ainda são fatores que prejudicam as denúncias. Além disso, há muitos casos que ocorrem no interior, e nem sempre são levados à polícia. “Devido até a cultura da região, existem muitos casos no interior nos quais as mulheres, por não conhecerem bem seus direitos, acabam relevando a situação”, lamenta a delegada.

Na visão de Deise, é preciso vencer a barreira do medo, pois somente com as denúncias será possível trabalhar em políticas de segurança mais eficazes na defesa dos direitos das mulheres. “Sempre que uma mulher for obrigada a fazer algo mediante violência ou grave ameaça, se caracteriza a violência passível de registro e até de medidas protetivas”, ressalta.

Trabalhos paralelos

A delegada Deise também coordena o Núcleo Comunitário da Polícia Civil de Bento (NCPC), que desenvolve trabalhos fora do expediente normal e tem como um dos principais objetivos mostrar as ferramentas que as mulheres têm a seu favor para coibir os abusos sofridos. O NCPC mantém ativos pelo menos quatro projetos que se destacam: dois relacionados à violência contra a mulher (para vítimas e agressores) e outro que aborda a dependência de álcool e drogas (para os dependentes e suas famílias). As ações são realizadas semanalmente com encontros e palestras que tratam sobre o tema.

O Grupo de Reabilitação para Agressores de Mulheres tem sido destaque pela queda na reincidência. Segundo números divulgados no ano passado, em cerca de 99% dos casos não foram observadas reincidências. No mesmo contexto, o Grupo de Mulheres que Vivenciam a Violência Doméstica. Neste caso é realizado acompanhamento periódico das vítimas após elas efetuarem o registro da ocorrência de violência doméstica, com o objetivo de verificar a condição da mulher. Por fim, o Grupo de Atenção a Agressores e Famílias de Dependentes de Álcool e outras Drogas trabalha o tema do uso de entorpecentes, o que contribui para motivar a violência, principalmente dentro de casa.

Reportagem: Jonathan Zanotto

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