Uma vida dedicada a acolher o próximo

Salete de Oliveira foi a voluntária responsável pela idealização da Pastoral do Migrante – Casa Pão dos Pobres na Paróquia Santo Antônio, que auxilia mensalmente centenas de famílias em Bento

Nesta segunda-feira, 11/10, o município de Bento Gonçalves completa 131 anos de emancipação política e administrativa e 
o SERRANOSSA entrevistou figuras que contribuem diariamente para o avanço cultural e social de Bento e tornam a cidade um local de acolhimento e oportunidade para todos. Conheça Salete de Oliveira. 
Foto: Eduarda Bucco

Quando se imagina um grupo de 500 pessoas, lado a lado, em um único espaço, é possível ter noção da grandiosidade que o número representa. Esse foi o total de pessoas auxiliadas com cestas básicas no último mês de setembro pela Pastoral do Migrante – Casa Pão dos Pobres, da Paróquia Santo Antônio. A entidade se tornou bastante conhecida nos últimos anos, mas o que poucas pessoas sabem é que ela começou pelas mãos de uma só pessoa, a voluntária Salete de Oliveira.

Sempre atenta às necessidades do próximo e disposta a ajudar, Salete ficou atenta à chegada dos primeiros imigrantes haitianos em Bento Gonçalves, por volta de 2012. Naquele ano, ela decidiu reunir outra voluntária para visitar alguns desses primeiros imigrantes em uma empresa onde haviam conseguido emprego. “Começamos a fazer amizade com eles e percebemos que eles precisavam de ajuda com o Português. Foi então que conversamos com o então padre da paróquia Santo Antônio, Adelar Baruffi, hoje bispo de Cruz Alta e recentemente nomeado Arcebispo Metropolitano de Cascavel, no Paraná, e arrumamos uma sala atrás da igreja para ensinar o idioma a essas pessoas”, recorda Salete.

Com o tempo, o grupo de voluntários foi ampliando, assim como o número de pessoas atendidas. Diante desse contato direto, percebeu-se a necessidade de auxiliar essas famílias também com cestas básicas, diante das dificuldades financeiras de se estabilizar em um novo país. Assim, surgiu a Pastoral do Migrante. Mais tarde, com o aumento das famílias buscando ajuda, inclusive de não imigrantes, e com o apoio do padre Ricardo Fontana, o projeto social foi expandido e ganhou um nome extra para simbolizar o trabalho feito no local: Casa Pão dos Pobres.

As cestas básicas são montadas pelo grupo de 12 voluntários, juntamente com a Irmã Pastorinha Vanda Terezinha Bisato, que hoje auxiliam o projeto e os alimentos são arrecadados a partir de doações da comunidade. “Bento tem um coração muito grande e sempre recebemos uma grande quantidade de doações”, agradece Salete. Os alimentos são entregues nas primeiras sextas-feiras do mês para os imigrantes, na segunda para as famílias locais, na terceira para indígenas e, na quarta, novamente para as famílias de não imigrantes. O horário é das 13h às 15h.

Mas muito além que o auxílio com alimentação, Salete dedica seus dias a entender a realidade das famílias que chegam até ela, inclusive de outros municípios. “Quando eu sei que alguém está precisando, eu vou até a casa da pessoa. Conheço de perto a situação deles e tento ajudar da melhor maneira possível”, relata. “É muito gratificante ver muitas das famílias que ajudamos, hoje conseguindo se sustentar sem o nosso auxílio. Ver as crianças crescendo saudáveis e se tornando bons seres humanos. Essa é a maior recompensa”, afirma.

Semeando frutos em sua família, Salete conta com o auxílio da filha e do neto, de apenas três anos, para garantir comida e amor a todos que estejam passando por um momento difícil. “Temos que começar a olhar ao nosso redor, reparar no outro, desconectar do digital e ver a realidade. O amor é a palavra-chave para tornar o mundo melhor”, finaliza.

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