UPA e Tacchini registram aumento nos atendimentos de crianças com sintomas respiratórios

Entre julho e agosto deste ano, o número de crianças com sintomas respiratórios atendidas na UPA 24h do bairro Botafogo e no Hospital Tacchini têm tido um aumento significativo em Bento Gonçalves, a exemplo do que já vem sendo observado em diferentes partes do mundo. No Tacchini, a média de atendimentos no fluxo respiratório pediátrico saltou de nove em julho para 23 em agosto. A médica infectologista do hospital, Nicole Golin, ressalta que esses atendimentos não são apenas de COVID-19, e sim de outros quadros como o vírus sincicial respiratório, “muito comum nessa época do ano entre as crianças”, comenta. 

Mesmo assim, em entrevista ao SERRANOSSA, o coordenador médico da UPA 24h Amauri Vargas fez um alerta sobre o aumento da infecção pelo Coronavírus entre esse público mais jovem. Apesar de não haver nenhum estudo comprovando que a variante Delta, em predominância hoje no país, atinja mais o público infantil, Amauri reforça as características dessa mutação: “aonde ela chega ela predomina, contaminando mais. Como a Delta contamina mais, também haverá mais crianças sendo contaminadas”, comenta. 

Outro ponto destacado pelo médico é que o cenário atual se diferente daquele vivenciado no ano passado. Hoje, sem restrições de circulação e funcionamento de estabelecimentos, as pessoas e as crianças estão circulando mais, inclusive frequentando presencialmente as escolas. “A maior exposição das pessoas contrasta com o perfil da variantes”, continua Amauri. 


Imagem ilustrativa. Crédito: Kelly Sikkema/Unsplash
 

Dessa forma, apesar de serem raras as ocorrências de crianças e adolescentes sendo acometidos por casos graves da COVID-19, uma maior circulação da variante Delta entre esse público – ainda não vacinado – pode provocar o adoecimento da população mais vulnerável para o vírus. Um exemplo são os idosos, que deverão começar a receber uma dose reforço da vacina a partir de setembro no Brasil. “As crianças são vetores. Então a preocupação maior não é que elas possam morrer em decorrência da infecção, porque esses casos são raros, mas que ela vai carregar o vírus para o idoso ou o doente que está em casa. Por isso essa pressa em reforçar o imunizante”, explica o médico.

Casos graves

Mesmo que a infecção pelo Coronavírus pareça não atingir gravemente crianças e adolescentes, o coordenador médio Amauri Vargas explica que a variante Delta tem mudado um pouco esse cenário no mundo. “Antes tínhamos uma taxa inferior a 1% de mortalidade entre as crianças. Mas se tínhamos mil crianças sendo contaminadas antes, agora temos 10 mil, por exemplo, devido ao potencial de contaminação da variante Delta. Então, proporcionalmente, pode haver sim um aumento de morte entre esse público”, alerta.

Nesta quarta-feira, 25/08, de acordo com informações do Estado, uma criança está internada na UTI Pediátrica do Hospital Tacchini, com a confirmação da COVID-19. Outras duas estão internadas com a suspeita da doença.

“Por isso a importância de manter os cuidados, principalmente com a volta das escolas e o aumento nos casos de sintomas respiratórios no geral. Além disso, os pais e/ou responsáveis devem se conscientizar sobre a necessidade de isolar seus filhos em caso de quadro gripal, não o levar para a escola”, reforça Amauri. 
 

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