Usinas hidrelétricas da região já apresentam dificuldades na geração de energia

Conforme o Complexo Ceran, em novembro foram registrados períodos de vazão afluente insuficiente para geração de energia. Apesar da boa quantidade de chuva nas últimas 24h, expectativa é de baixa precipitação para os próximos meses

Neste ano, o Brasil tem enfrentado uma das piores estiagens da história, o que ocasionou uma grave crise hídrica, principalmente na região Sudeste. Mas a pouca chuva também já tem impactado o cenário na Serra Gaúcha. Conforme a Companhia Energética Rio das Antas (Ceran), as três usinas hidrelétricas que compõem o complexo operam “a fio d’água”, ou seja, a energia é gerada a partir da vazão afluente natural do rio. Dessa forma, quando não há vazão afluente suficiente, as unidades geradoras são paralisadas. “Foi o caso de alguns períodos de novembro”, informa a companhia.

Conforme dados do Operado Nacional do Sistema Elétrico (ONS), entre o período de janeiro de 2020 a junho de 2021, houve uma queda significativa no valor da Energia Natural Afluente em todos os subsistemas. E a crise hídrica tem impactado diretamente nessa situação, porque é a água das chuvas que alimenta os rios e, consequentemente, aumenta a vazão. Nesse caso, quando não há a possibilidade de geração de energia pelas hidrelétricas, o país aciona as termoelétricas – muito mais caras e poluentes.

A Ceran explica que suas usinas fazem parte do Sistema Interligado Nacional (SIN), controlado pela ONS. “Portanto não cabe à Ceran a comunicação ou controle no acionamento de termoelétricas. Nossas UHEs operam conforme a vazão afluente natural do rio, e todas essas informações são compartilhadas com o ONS, que comanda nossa geração”, reforça.

A usina 14 de Julho está localizada entre os municípios de Bento Gonçalves, Cotiporã e Veranópolis e em 2020 foi responsável pela geração de 212.450 MWh. Já a usina Monte Claro fica entre Bento, Nova Roma do Sul e Veranópolis, gerando 260.047 MWh no ano passado. Por fim, a usina hidrelétrica Castro Alves está localizada entre Nova Roma do Sul, Antônio Prado, Nova Pádia e Flores da Cunha. Foram 329.016 MWh em 2020. Juntas, elas conseguem abastecer cerca de 600 mil residências de consumo mensal de 200 KWh. “Como nossa geração é baseada na vazão natural do Rio das Antas, os valores anuais variam de acordo com as chuvas em nossa região”, afirma a companhia. Por estar conectadas ao SIN, e geração de energia não é destinada há cidades em específico, explica a Ceran.

Mas além dos períodos de paralisação registrados em novembro, a companhia já evidencia a preocupação para os próximos meses, quando a tendência é de aumento das temperaturas e baixa da pluviometria. Apesar de ter sido registrada uma quantidade significativa de chuva nas últimas 24 – 15mm de acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) – no total choveu apenas 26,8 mm durante todo o mês de novembro.

Diante dessa situação, a companhia ressalta a responsabilidade de todos no uso da energia elétrica. “A Ceran acredita que todos temos papel importante no uso racional e eficiente da energia elétrica, e que deve ser uma prática constante, e não apenas lembrada em momentos de crise”, finaliza.

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