Vigilância Epidemiológica de Bento registra 2 mil casos de DDA desde setembro

O Serviço de Vigilância Epidemiológica de Bento Gonçalves, através do Sistema de Monitoramento das Doenças Diarreicas Agudas (SIVEP-DDA), acompanha sistematicamente os atendimentos dos casos de diarreias agudas no município.

Segundo o informe, nas três primeiras semanas do mês de outubro, de 01/10 a 21/10, foram contabilizados 1.204 casos de DDA em Bento, mostrando que a situação ainda não diminuiu.

Entre 30/09 e 15/10/2021, a Vigilância Epidemiológica enviou para o Laboratório Central do Estado (LACEN) 16 amostras de fezes dos doentes. Até a presente data, o LACEN informou que 3 amostras resultaram positivas para o Norovírus. As demais amostras ainda estão sendo analisadas.

Foram notificados 2.000 casos de DDA entre 01/09/2021 e 21/10/2021. Do total de casos de Bento Gonçalves, 33,8% está na faixa etária menor de 20 anos (crianças e adolescentes). A grande maioria dos doentes tem 20 anos ou mais (66,2%). Cerca de 53,9% dos doentes reside em 12 bairros: São Roque, Santa Helena, Ouro Verde, Vila Nova I e II, Aparecida, Zatt, Borgo, Municipal, Humaitá, Progresso e Botafogo.

Além de diarreia, um número menor de doentes relatou episódios de vômito e de dor abdominal. A febre não tem sido um sinal predominante entre os casos.

O que é a Doença Diarreica Aguda (DDA)

A DDA é uma síndrome causada por vários agentes etiológicos (bactérias, vírus, parasitas), cuja manifestação predominante é o aumento do número de evacuações que podem ser aquosas ou de pouca consistência. Pode vir acompanhada de vômito, febre e dor abdominal. Em alguns casos pode haver a presença de muco ou sangue nas evacuações. No geral são autolimitadas com duração de 2 a 14 dias. Elas representam um dos mais expressivos problemas de Saúde Pública em todo o mundo, particularmente nos países subdesenvolvidos e em desenvolvimento, onde constituem uma das principais causas de morbidade e mortalidade infantil.

Tratamento da DDA

O tratamento é de natureza eminentemente sintomática, através da reidratação oral. Ocasionalmente a soroterapia é uma conduta preconizada em algumas situações para evitar a desidratação severa. O esquema de tratamento independe do diagnóstico etiológico, já que o objetivo da terapêutica é reidratar. Recomenda-se nestes casos o aumento da ingestão de líquidos como soro caseiro, sopas, sucos não laxantes, mantendo a alimentação habitual, em especial o leite materno, corrigindo eventuais erros alimentares e evitando tomar medicamento sem orientação médica. Persistindo os sintomas e ocorrendo vômitos e febre os pacientes devem ser reavaliados.

Diagnóstico do Agente Causador da DDA

O diagnóstico do agente causador de uma DDA, via de regra, exige a realização de exames laboratoriais em amostras de fezes (bacteriológicos, virológicos e parasitológicos).

Como ocorre a transmissão dos agentes causadores de DDA

Em geral, a transmissão dos agentes causadores de DDA costuma ocorrer através da via fecal-oral, seja pela ingestão de água ou de alimentos contaminados, pelo contato com objetos contaminados ou, ainda, pelo contato pessoa a pessoa. Estas situações permitem um alto alastramento dos agentes causadores dessa doença na comunidade.

Medidas de Controle e Prevenção da DDA

As principais medidas de controle e prevenção incluem a lavagem de mãos frequente, especialmente após ida ao banheiro, trocas de fraldas e antes de comer ou preparar a comida. A lavagem cuidadosa de frutas e vegetais de preferência com cloro, devem seguir as orientações contidas no rótulo da embalagem do produto. Cuidados com a água para consumo humano como, por exemplo, a fervura da água não tratada e o não consumo dela se a fonte não for segura são medidas importantes para o controle de agentes etiológicos de transmissão principalmente hídrica. Após cozinhar os alimentos os mesmos devem ser manipulados de maneira adequada sobre superfícies limpas e de preferência não porosas. Limpar as superfícies contaminadas com álcool ou hipoclorito de sódio sempre que possível, por exemplo, banheiros, pias para lavagem de mãos, entre outros. Os reservatórios domiciliares e de abastecimento (caixas d’agua) precisam ser limpos de preferência anualmente.

Ações de monitoramento e de diagnóstico do surto de DDA em Bento Gonçalves

A Vigilância Epidemiológica enviou 16 amostras de fezes dos doentes para o Laboratório Central do Estado do Rio Grande do Sul, a fim de fazer o diagnóstico do provável agente causador do surto de DDA.

De acordo com o Alerta Epidemiológico da Secretaria Estadual da Saúde do dia 07/10/2021, 25 municípios gaúchos identificaram surtos de DDA: Dois Irmãos, Esteio, Morro Reuter, Porto Alegre, Bento Gonçalves, Nova Prata, Carlos Barbosa, Garibaldi, Monte Belo do Sul, São Marcos, Pinto Bandeira, Santa Maria, Lavras do Sul, Colorado, Saldanha Marinho, Santana do Livramento, Santa Cruz do Sul, Mato Leitão, Horizontina, Tucunduva, Santa Rosa, Santo Cristo, Barra Funda, Sarandi.

O agente Norovírus foi identificado como causador do surto em 9 cidades e a investigação está em andamento para determinar a causa nos outros 16.

Doença Diarreica Associada ao Norovírus

A norovirose é uma das causas mais comuns de gastrenterite. O período médio de incubação para o norovírus é de 24 a 48 horas, e a doença clínica é caracterizada por vômito de início agudo, diarreia não sanguinolenta, ou ambos, durando 12 a 60 horas. Em estudos clínicos, aproximadamente dois terços das pessoas infectadas com norovírus apresentam algum dos sintomas da doença. A principal via de transmissão da norovirose é fecal-oral, incluindo o consumo de alimentos ou de água contaminados por fezes, contato direto pessoa a pessoa e objetos ou ambientes contaminados. A transmissão por via aérea através de gotículas de vômito também pode ocorrer. Durante surtos, os primeiros casos frequentemente resultam da exposição a um alimento, a um objeto ou a um ambiente contaminado por fezes. Os casos secundários resultam da transmissão pessoa a pessoa. As noroviroses e as infecções por norovírus têm numerosas características que facilitam sua propagação durante a ocorrência de surtos, incluindo: uma baixa carga viral para a infecção; disseminação prolongada, contaminantes assintomáticos (isto é, pessoas infectadas sem sintomas); estabilidade ambiental do vírus; e falta de imunidade durável nas pessoas previamente infectadas.

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