Voluntários cobram abertura de CPI em sessão da Câmara de Bento

Até o momento, apenas três vereadores assinaram o documento que visa à investigação do caso do sumiço dos gatos no Conceição e do desmatamento de área às margens da BR-470. São necessárias seis assinaturas para instaurar CPI

A sessão ordinária de quarta-feira, 03/03, da Câmara de Vereadores de Bento Gonçalves foi marcada por manifestações do público presente e discussões entre parlamentares e protetores da causa animal. Um grupo de voluntários esteve presente com cartazes na sessão, a fim de cobrar a instauração de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o caso do sumiço dos gatos no bairro Conceição e o grande desmatamento de área às margens da BR-470. A solicitação de abertura da CPI foi protocolada pelo vereador Rafael Fantin (PSD), o Dentinho, na semana passada, e até o momento conta com apenas três assinaturas – é necessário o apoio de ao menos seis parlamentares para instituir a investigação. Já assinaram o documento os vereadores Dentinho, Agostinho Petroli (MDB) e Paco (PTB). Também se mostraram favoráveis à CPI, mas ainda não assinaram o documento, os vereadores José Gava (PDT) e Duda Pompermayer (DEM). Ainda, o presidente da Frente Parlamentar em Defesa da Causa Animal na Casa, Ari Pelicioli (Cidadania), se mostrou pressionado a assinar.

Em sua fala, o vereador José Gava indicou que assinará a CPI caso não haja uma “justificativa do Poder Público”. Entretanto, comentou que haveria interesses políticos por trás do processo. “No meio disso tudo existe muita politicagem. Tem no mínimo quatro pré-candidatos, e um deles sou eu também. Mas eu não faço politicagem. […] E quem paga a conta de uma CPI é o povo. Porque os oportunistas vão barganhar muitos cargos lá embaixo”, disse. “Mas se não tomarem uma decisão eu vou assinar, sim, a CPI, porque o que aconteceu no Conceição foi gravíssimo”, complementou.

Durante a fala do vereador, protetores se manifestaram gritando “Justiça, justiça!”.  “Eu sou ativista há 30 anos e dou minha vida pelos animais. Não vejo ninguém fazer nada pela causa animal, nenhum vereador. Hoje é meu último dia de ativista se essa CPI não sair”, comentou uma protetora. Durante a manifestação, uma voluntária também criticou a quantidade de cargos de confiança no Poder Público. Gava se irritou e rebateu: “Eu não tenho cargo de confiança nenhum. Tenho quatro cachorros lá em casa adotados, mas faço porque eu gosto e por amor. Não preciso ficar me fazendo de queridinho. Tua posição eu já sei qual é, então baixa a bola que tu já vestiu uma camisa, tá fazendo campanha para deputado”, provocou.

Já o vereador Jocelito Tonietto (PSDB), deixou clara sua posição contra a CPI. Segundo ele, a versão dos fatos sobre o sumiço dos gatos estaria equivocada. “Eu fui lá e fiquei uma hora e meia conversando com vizinhos que têm provas, vídeos e áudios. […] Tenho testemunhas. […] Quem tem que responder é o inquilino”, alegou.

O vereador Paco (PTB), que aproveitou grande parte de sua fala para criticar a posição dos colegas parlamentares de não conceder um pedido de licença não remunerada, também comentou sobre a CPI. “O presidente da Frente [Parlamentar em Defesa da Causa Animal] é o vereador Ari Pelicioli e ele nada fez por vocês. Quem ensacou ou deixou de ensacar [os gatos] não interessa. Tem que ser investigado. Por muito menos abriram uma CPI no tempo do [ex-prefeito Roberto] Lunelli, por causa dos bichos de concreto. Tinham muito mais importância os bichos de concreto do que os bichos vivos”, comparou.

O vereador Ari Pelicioli, assim como o vereador Gava, também criticou a atuação política de algumas ativistas. “Há poucos dias alguém da causa animal estava no governo Diogo [Siqueira] e agora é candidata. […] Todos que estão fazendo fogo, ou apoiam candidatos ou são candidatos”, provocou. A voluntária citada rebateu na tribuna. “Fui eu quem pedi exoneração porque o governo não tinha interesse [pela causa]!”, gritou.

Em sua fala, Dentinho rebateu as acusações de interesses políticos para abertura da CPI. “Estamos pedindo a abertura porque é o certo a fazer. Porque as denúncias são muito graves e porque uma das principais funções do vereador também é investigar”, disse. “Eu acredito que se cada vereador colocar a mão na consciência e ouvir seus eleitores ali fora, vão esquecer seus acordos e assinar essa CPI. O município precisa ser passado a limpo”, apelou.

Ao tomar o lugar na tribuna, Pelicioli informou que irá realizar uma reunião na próxima terça-feira, 08/03, com a Frente Parlamentar em Defesa da Causa Animal e convidou os protetores a formar uma comissão, a fim de discutir a CPI, o acontecimento do sumiço dos gatos e demais fatos relativos à causa animal.

Questionado pelo SERRANOSSA sobre o motivo da não assinatura, o vereador Thiago Fabris (PP), que também disse ser protetor da causa animal, citou as intenções políticas por trás do pedido de investigação. “O objetivo dessa CPI é única e exclusivamente política. Em ambos os casos [sumiço dos gatos e desmatamento] já se tem o nome dos envolvidos, já está no Ministério Público e na Polícia Civil”, argumentou.

A advogada Bruna Marin Rossatto, que representa o inquilino da casa de onde os gatos foram levados, João Fernando Cipriani, afirmou que a CPI é, sim, importante para apuração dos fatos para, inclusive, se buscar uma responsabilização por improbidade administrativa “embora a gente saiba que sirva de muitas trocas de favores, de cargos, o que foi muito bem falado por alguns vereadores na Câmara”, avalia. “Mas a CPI é importante para se verificar também outros fatos que vão surgindo com o decorrer das informações, que acontecem dentro da secretaria de Meio Ambiente. Nossa posição é favorável para que se faça uma averiguação interna, porque foi um absurdo o que aconteceu. O fato precisa ser investigado de todas as formas. E quem não quer verificar de fato o que aconteceu, é porque não quer responsabilizar quem deve ser responsabilizado e não quer fragilizar o próprio governo”, analisa.

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